Projeto Brasil estudo

Capítulo 05

Caminhos

Baixar juros à força já falhou, e cortar gastos sem mexer nos juros também. O caminho é atacar ao mesmo tempo o que mantém o juro alto, o que isenta a renda do capital e o que impede a indústria de investir.

Cinco frentes coordenadas

Monetária

  • Meta de inflação de 3,5% a 4%
  • Desindexar contratos
  • Menos dívida atrelada à Selic

Fiscal

  • Piso para o investimento público
  • Revisão das isenções
  • Olhar o déficit nominal

Tributária

  • Dividendos tributados como salário
  • Herança progressiva
  • Menos imposto sobre o consumo

Indústria

  • Crédito com metas
  • Compras públicas
  • Câmbio competitivo

Trabalho

  • Ensino técnico
  • Formalização
  • Salário mínimo real

Os meios de cada frente

MedidaO que resolveMeio
Meta de inflação de 3,5% a 4%Juros menores sem perder o controle da inflaçãoResolução do Conselho Monetário Nacional
DesindexaçãoChoques de preço que se prolongam e exigem juros maioresLei que proíba reajuste automático em menos de 12 meses
Trocar títulos atrelados à SelicCada alta de juros vira despesa do Tesouro no dia seguintePlano Anual de Financiamento do Tesouro
Piso de investimento públicoO investimento é sempre o primeiro corteAjuste no arcabouço fiscal (LC 200/2023)
Revisão de gastos tributáriosIsenções sem resultado que somam centenas de bilhõesRevisão periódica com extinção automática
Dividendos como salário e fim dos juros sobre capital próprioRenda do topo com imposto baixoLei ordinária, com redução do imposto da empresa
ITCMD acima de 8%Herança com imposto muito abaixo dos países ricosResolução do Senado e leis estaduais
IVA com cashback amploImposto sobre consumo que pesa nos pobresRegulamentação da EC 132/2023
Crédito industrial com metasSubsídio sem contrapartida, como nos “campeões nacionais”Contratos de desempenho avaliados pelo Ipea
Margens de preferênciaO Estado compra muito e induz poucoLei 14.133/2021: até 10% para produto nacional e 20% com tecnologia do país
Imposto de saídaFuga de patrimônio financeiroLei ordinária
Ensino técnico integradoPoucos trabalhadores qualificados para a indústriaPlano Nacional de Educação e Fundeb

A ordem das medidas

  1. Primeiros dois anos: meta de inflação, desindexação, revisão de isenções, tributação de dividendos e margens de preferência. Reduzem o juro de equilíbrio e melhoram a arrecadação sem aumentar o gasto.
  2. Do terceiro ao quinto ano: troca da composição da dívida, piso de investimento, crédito industrial com metas e ensino técnico.
  3. De cinco a quinze anos: o ganho de produtividade vira salário, e uma nova classe média industrial e tecnológica se forma.

Metas para dez anos

Propostas deste estudo, não previsões.

IndicadorHojeDireção proposta
Juros da dívida8,8% do PIBCair à metade
Peso do patrimônio na arrecadação5%Perto de 10%
Peso do consumo na arrecadação39%Perto de 30%
Fatia do 1% mais rico na renda24,3%Abaixo de 20%
Informalidade37,5%Abaixo de 30%

Lente de Aristóteles

Prudência é deliberar sobre meios concretos e avaliar o resultado. Cada medida desta página tem um instrumento legal, um prazo e um indicador. É o oposto de governar por slogans.