Projeto Brasil estudo

Capítulo 04

Quem paga imposto

O problema brasileiro não é o tamanho da carga, que está perto da média dos países ricos, mas de quem ela cobra. O Brasil tira 39% da arrecadação do consumo e só 5% do patrimônio.

Brasil, EUA, China e Coreia do Sul

TemaEUAChinaCoreia do SulBrasil
Carga totalcerca de 25% do PIB (aprox.)14% em impostos; 21% com contribuições sociaiscerca de 29% do PIB (aprox.)32,4% do PIB (2025); média da OCDE: 34,1%
Peso do consumo na arrecadação16,8%só o IVA responde por 39%22,6%39,2%
ServiçosImposto estadual sobre vendas; sem IVA federalIVA de 6% na maioria dos serviçosIVA único de 10%ISS de 2% a 5% mais PIS/Cofins; o novo IVA terá alíquota estimada em cerca de 28%
Alíquota máxima sobre salário37% federal, mais estadual45%45%, mais 10% local27,5%
Dividendosaté 20%, mais 3,8%20% (isento em ações listadas mantidas por mais de 1 ano)15,4% na fonte; tabela progressiva acima de 20 milhões de wonsIsentos até 2025; desde 2026, 10% acima de R$ 50 mil por mês e mínimo de até 10% acima de R$ 600 mil por ano
Lucro das empresas21% federal25% (15% alta tecnologia)até 25%, mais 10% local34% (IRPJ + CSLL)
Peso do patrimônio na arrecadação11,0%baixo; sem imposto anual sobre moradia11,5%5,25%
Imposto anual sobre imóveismunicipal, em geral 1% a 2% do valor de mercado (aprox.); financia escolas locaissó pilotos em Xangai e Chongqing, 0,4% a 1,2%0,15% a 0,5%, mais 0,5% a 5% sobre imóveis de alto valorIPTU sobre valores venais muitas vezes defasados
Herança40% acima de US$ 15 milhõesnão existe10% a 50%ITCMD de no máximo 8%

Fontes: Receita Federal, Tesouro Nacional, Tax Foundation, OCDE, CKGSB, PwC, EY e outras listadas em Fontes. Valores “aprox.” não foram conferidos na fonte primária.

O que copiar de cada país

Se o Brasil elevasse a tributação do patrimônio de cerca de 1,7% para cerca de 3% do PIB, nível próximo de EUA e Coreia, arrecadaria perto de R$ 180 bilhões a mais por ano. Esse valor permitiria reduzir o imposto sobre o consumo sem aumentar a carga total.

Lente de Aristóteles

Tributar a herança e a renda sem esforço é justiça corretiva: restaura o equilíbrio entre quem ganhou por ter e quem ganhou por fazer. Aliviar o consumo é justiça distributiva: quem tem menos contribui na proporção do que tem.

Se taxar os ricos, o capital foge?

As pesquisas mostram que os ricos se mudam bem menos do que o discurso sugere. O risco real é outro: o dinheiro sair do alcance do fisco sem que o dono saia do país.

TributoDá para fugir?
Imóveis e terras (IPTU, ITR)Não. O imóvel não sai do país.
Herança de bens situados no BrasilMuito difícil.
Dividendos retidos na fonteDifícil. A Lei 15.270/2025 cobra 10% também de quem mora fora.
Lucro de multinacionaisMais difícil desde a tributação mínima global de 15% (Lei 15.079/2024).
Aplicações financeiras no exteriorPossível, sem troca de informações entre países.
Imposto anual sobre fortuna financeiraÉ o mais fácil de contornar.

Quem ganha dinheiro aqui fica aqui, desde que o imposto recaia sobre o que está aqui. Para fechar as portas de saída: priorizar imóveis, herança e dividendos na fonte; criar um imposto de saída para quem muda de residência fiscal, como fazem EUA, Canadá e Noruega; e ampliar a troca automática de informações bancárias entre países.